O
que é a Justiça para o Século 21?
O
projeto JUSTIÇA PARA O SÉCULO 21 tem o objetivo de
divulgar e aplicar as práticas da Justiça Restaurativa
(JR) na resolução de conflitos em escolas, ONGs, comunidades
e Sistema de Justiça da Infância e Juventude como estratégia
de enfrentamento e prevenção à violência
em Porto Alegre. Implementado desde o ano de 2005, na 3ª Vara
da Infância e da Juventude da capital gaúcha, o Projeto
Justiça para o Século 21 é articulado pela
Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul.
A concepção de trabalho do Projeto Justiça
para o Século 21 tem estratégias emancipatórias,
irradiando para a rede de atendimento e para a comunidade na relação
com as Políticas Públicas definidas pelo Estatuto
da Criança e do Adolescente (ECA) por meio de parcerias individuais
e institucionais. Em três anos de Projeto (2005-2008), 2.583
pessoas participaram de 380 procedimentos restaurativos realizados
no Juizado da Infância e da Juventude. Outras 5.906 participaram
de atividades de formação promovidas pelo Projeto.
Além do Juizado, outros espaços institucionais como
as unidades de privação da liberdade da Fundação
de Atendimento Sócio-Educativo do Rio Grande do Sul (antiga
FEBEM), unidades de medidas socioeducativas de meio aberto, abrigos,
escolas e ONGs também já estão aplicando essas
práticas na gestão de conflitos internos, evitando
sua judicialização.
As iniciativas do Projeto têm sua inserção principal
na rede de atendimento ao adolescente em conflito com a lei a partir
do Sistema de Justiça, mas estabelece parcerias de forma
que amplia sua abrangência, produzindo repercussões
no âmbito de outras políticas como as de Segurança,
Assistência, Educação e Saúde.
Objetivos
- Qualificar a execução das medidas socioeducativas
no Juizado da Infância e da Juventude de Porto Alegre, no
âmbito do processo judicial e do atendimento técnico,
mediante os princípios e métodos da Justiça
Restaurativa;
- Contribuir com a garantia dos direitos humanos e com a prevenção
da violência nas relações em que os adolescentes
em atendimento tomam parte;
- Sistematizar e difundir a metodologia necessária à
implantação da Justiça Restaurativa no Sistema
de Justiça da Infância e da Juventude, e nas demais
políticas públicas.
Justiça Restaurativa em Porto
Alegre
Em março de 2005, o projeto "Promovendo Práticas
Restaurativas no Sistema de Justiça Brasileiro", (PNUD/Ministério
Justiça), com foco nos processos judiciais da 3ª Vara,
tornou-se referência no impulsionamento dos estudos e práticas
inspiradas pelo novo modelo de Justiça. A contribuição
da UNESCO/Criança Esperança, que a partir de agosto
deu lugar à execução do Projeto "Justiça
para o Século 21", expandiu a difusão e aplicação
da Justiça Restaurativa ao atendimento técnico dos
adolescentes infratores.
Na Capital gaúcha, a ênfase em resolver conflitos,
mais do que punir transgressões, começa a proliferar
na Justiça da Infância e da Juventude inspirada nos
ideais da Justiça Restaurativa combinada com a Doutrina da
Proteção Integral da Infância e nos movimentos
pela Cultura de Paz. Estudos teóricos e observação
da prática judiciária sob o prisma restaurativo, iniciados
ainda em 1999 sob a inspiração do professor Pedro
Scuro Neto, e a inquietude pela renovação da Justiça
e a busca de soluções para a falta de efetividade
do Sistema de Justiça Penal Juvenil abriram essa nova frente
do movimento internacional pela Justiça Restaurativa.
A incorporação de conceitos e valores e a mudança
de atitude na atuação reguladora da 3ª Vara da
Infância e da Juventude de Porto Alegre, pioneira em práticas
restaurativas na Capital, foram fundamentais para o aporte de instituições
e a sistematização de uma nova ação
pró-ativa dentro da Justiça gaúcha.
As origens mais remotas da Justiça Restaurativa na capital
gaúcha começam no "Caso Zero", experiência
de aplicação da JR na 3ª Vara do Juizado Regional
da Infância e da Juventude de Porto Alegre em delito envolvendo
dois adolescentes, ocorrido em 04 de julho de 2002. Outro marco
foi a criação, em 13 de agosto de 2004, do Núcleo
de Estudos em Justiça Restaurativa na Escola Superior da
Magistratura da AJURIS, espaço que passou a reunir pessoas
e promover leituras e reflexões sobre JR. Mais recentemente,
personalidades internacionais reunidas para o Fórum Social
Mundial reforçaram o debate sobre a inserção
desses novos paradigmas.
Semeando Justiça para o Século
21
Em Porto Alegre, procedimentos restaurativos começaram a
ser testados em 2002 e desde 2005 têm sido realizados de forma
sistemática junto à 3ª Vara do Juizado da Infância
e Juventude, trazendo a presença da família do infrator
e de representantes da comunidade para o debate do ato infracional,
a fim de firmar um comprometimento de todas as partes na recuperação
social do jovem infrator. Essa experiência piloto consolida
atividades e capacitações que viabilizam a atuação
em áreas estratégicas, como a Justiça Restaurativa
no espaço judicial, no atendimento socioeducativo, com reflexos
na educação e na comunidade onde se insere.
Ao lado do Juizado, outros espaços institucionais, como as
unidades de privação da liberdade da Fundação
de Atendimento Sócio-Educativo do Rio Grande do Sul (antiga
FEBEM), unidades de meio aberto, abrigos, escolas e ONGs passaram
a utilizar-se das práticas restaurativas na gestão
de conflitos internos, evitando sua judicialização.
Com isso, o Projeto Justiça para o Século 21 vem imprimindo
sua marca de caráter inovador e transformador no Sistema
de Justiça da Infância e Juventude de Porto Alegre.
O êxito do projeto só tem sido possível graças
ao engajamento voluntário de coordenadores e comunidade,
e pelo apoio incondicional da UNESCO - Programa Criança Esperança,
da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência
da República, o Programa das Nações Unidas
para o Desenvolvimento (PNUD) e Secretaria da Reforma do Judiciário.
Práticas Restaurativas em Processos
Judiciais
A
Central de Práticas Restaurativas do Juizado da infância
e da Juventude (CPR-JIJ) vem desenvolvendo um trabalho de atendimento
e acompanhamento da aplicação das práticas
restaurativas em processos judiciais por ato infracional –
crimes e contravenções praticados por menores de 18
anos. Nos três anos de atuação (2005-2008),
2.583 pessoas foram atendidas pela Central de Práticas Restaurativas.
Os
encontros promovidos pela Central de Práticas do Juizado
são chamados de círculos restaurativos e reúnem
as pessoas diretamente envolvidas nos atos infracionais (vítima
e adolescente infrator), familiares, amigos e comunidade. O procedimento
é conduzido por um coordenador, que estuda o caso e conduz
o encontro, com o objetivo de definir junto aos interessados um
plano de ações para resolver o problema. A participação
é voluntária e a reunião só acontece
se o adolescente, a vítima e seus responsáveis concordarem
em participar.
Cada
encontro tem três etapas distintas: na fase do Pré-círculo,
é feito o convite e apresentada a metodologia restaurativa;
no Círculo, o grupo se reúne e interage expondo suas
necessidades e projetando ações para compensar danos
e promover mudanças; e finalmente, no Pós-círculo,
o cumprimento das metas traçadas na etapa anterior é
acompanhado pelos coordenadores.
A
CPR-JIJ atua desde 2006 aprimorando a forma e o conteúdo
da abordagem da Justiça Restaurativa nos processos judiciais,
através de encontros de auto-supervisão. Nessas reuniões
semanais são estudados os círculos documentados em
vídeo e, a partir dessa análise, são aprimoradas
a compreensão e habilidade dos coordenadores, que têm
aí uma oportunidade de visualizar as intervenções
realizadas, bem como o emprego de valores e princípios da
proposta restaurativa.